
Nunca soube contar meus segredos, meus medos ou minhas mentiras. Nunca soube contar sobre meus desejos, anseios ou momentos. Nunca soube falar sobre nada e mesmo assim sabia como fazê-lo. Nunca soube dizer, escrever ou até mesmo declarar minhas emoções. Mas um dia eu aprendi sozinha como liberar minhas sensações de uma forma que ninguém pudesse me atrapalhar, zombar de mim ou até mesmo brigar. Eu me tornei uma escritora de diários ambulante, havia escrito mais de 10, mas isso não funcionava. Então, fui crescendo, obtive minhas regalias, e minhas dificuldades, meus modos e minhas responsabilidades foram crescendo. Minha relação com a minha mãe já não era a mesma de antes e andavamos em pé de guerra, estava próxima a separação dos meus pais. Não havia com quem conversar, com quem explicar ou pedir apoio. Então, conheci uma pessoa que era mais que um amigo, meu namorado, meu apoio, meu guindaste. Era tudo meu e soube bem como me proteger e me ajudar nesse momento tão difícil. Eu quis desfazer tudo naquela hora, quis mudar minha vida, quis ser rebelde, quis fugir e me matar também. Mas nada disso poderia me livrar a culpa de que não tentei ser quem sou de verdade. Sumia em meio a todos, corria e lá estava eu, no meu quarto escrevendo. E lás vinham gritos, reclamações e fúrias enlouquecidas de coisas que eu nunca havia feito. Talvez quem precisava de mim era ela, mas nunca me falava nada. Nunca havia me feito um carinho direito ou me dado um apoio no que eu queria fazer. Haviam apenas críticas e mais críticas e no fim eu fui a bruxa, a malvada e a mentirosa da história contada por eles. Não sabia o que havia feito ou o que não havia feito, apenas sabia que eu era a pior coisa que já havia acontecido na vida dela. E nesse dia em diante eu desisti de entender, procurei base e apoio em uma segunda mãe para mim, minha vó. Onde eu pude encontrar carinho, calor e afeto. Nunca havia me sentido tão amada em toda minha vida, embora fosse doloroso, eu havia esquecido temporariamente daquelas coisas terriveis que tinha ouvido. E ao longo dos anos, tudo foi se modificando, eu fui crescendo e entendendo a vida dos adultos, onde e quando aconteciam essas confusões e porque. Mas nunca havia entendido porque de muitas coisas, mas não importava. Minhas idéias formadas, meus sentimentos completos e meu vazio quase preenchido. Mas quem me garantia de que ela não seria a forma de amenizar minha dor. Nunca obtive respostas de nada. Nem soube a verdade sobre as coisas, de fato, me contavam histórias mais amênuas, mais já sabia que não eram assim... Hoje eu tenho anos e mais anos em minha longa vida de adolescente e já não sei por onde começar a rever essa história. Talvez o perdão e a compaixão sejam fortes aliados para começar e que eu possa ouvir e falar as coisas que eu sempre quis. Pois apesar de tudo, eu sempre a amei e sempre irei amá-la. Além de todo mal causado, eu sou humana, e minha dor não foi maior pois tive um grande amor ao meu lado, minha segunda mãe, minha vó.Quem eu não meço palavras ao dizer que a amo. E isso me faz feliz, sou quem sou hoje graças a ela, e sou muito grata. Razão da minha vida. Base de tudo que sou. Minha verdadeira amiga. Daria o mundo se preciso for...
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